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  • Isabel Valente

Como desenvolver o pensamento crítico nas nossas crianças, dos mais pequenos aos mais velhos?

Updated: Feb 20



AVISO IMPORTANTE: suscetível de criar diálogos engraçados, estranhos e polémicos, bem como questões que precisem ser respondidas e exploradas e, consequentemente, exijam de vocês, pais, disponibilidade e presença a 100%.


Mas antes de mais, procura responder honestamente às questões seguintes:

  • Qual o número médio de questões que os teus filhos fazem diariamente, para além das práticas, é claro?

  • Quantas dessas questões respondes com atenção plena?

Ao contrário do que se julga, não cabe apenas à escola ou professores desenvolver o espírito crítico das nossas crianças. O posicionamento mais ou menos crítico de cada criança perante a realidade, dependerá sempre do espaço que lhes é dado em casa para que possam falar, questionar (não desrespeitar!) e partilhar as suas ideias. Não é algo que se possa desenvolver de uma semana para a outra. Por isso, volta às questões que te coloquei e estuda a proporção de questões e respostas dadas por ti com verdadeiro interesse e seriedade.


A primeira vez que me colocaram esta questão, apercebi-me que nem sempre valorizamos as ideias dos nossos filhos. Não falo de concordarmos com tudo ou respondermos com um "muito bem" automático, mas sim debruçarmo-nos com eles sobre dúvidas mais ou menos existenciais ou hipotéticas que lhes atormentam a mente mais vezes do que que queremos admitir.


Não se assustem! Mais do que lhes oferecermos respostas “prontas a engolir”, o importante é escutar com atenção e curiosidade verdadeiras, colocar hipóteses e deixá-los chegar a respostas que os satisfaçam e apaziguem, pois, as suas questões traduzem mais as suas inquietações, curiosidades e vontade de aprender do que outra coisa. Fazem parte do seu processo de crescimento, pensamento e raciocínio e, por mais disparatadas que possam parecer, elas são sempre mais inocentes e menos dirigidas a provocar os adultos do que podemos inicialmente pensar. Por isso, antes de julgar escuta com atenção!!



Aproveita os temas do dia-a-dia ou das notícias para os fazer pensar sobre o que realmente está em causa, a origem das manifestações, a manipulação política dos acontecimentos, as polémicas digitais ou até o número de infetados por COVID-19. Não esperes, porém, que saibam falar sobre estes assuntos como que por magia!


Antes de tudo, dá o exemplo! Expressa a tua opinião, os prós e os contras da tua perspetiva e devolve a questão com um simples – “E tu como te sentes em relação a isto?”, sem pressionar. As crianças ou jovens poderão não saber o que dizer ou pensar à partida, mas poderão identificar a emoção que lhes suscita a notícia – confusão, incredulidade ou indiferença até, mas deixa sempre que te expliquem porquê antes de intervires, responderes ou julgares.


Mostra interesse genuíno, faz perguntas e mostra-lhes que, mais do que concordar, importa escutar para compreender, integrar ou não e que, no limite, é legítimo “concordar” em discordar, com respeito e sem dramas.


Conta estórias, partilha episódios da tua vida, explica-lhes as tuas atitudes e comportamentos e deixa que se coloquem na tua pele ou na “pele do outro” e questiona-os sobre o que fariam e porquê. Garanto que te aprenderás a rir de ti mesmo e terás o privilégio de conhecer melhor os teus filhos!! Por isso, evita situações com muita carga emocional para que se sintam mais à vontade em explorá-la.


Proporciona experiências variadas em contexto distintos! Não falo apenas da ida a museus, exposições ou leitura de livros variados, mas também da participação em projetos de voluntariados, intercâmbio, desporto, palestras ou debates e, porque não, acompanharem-te num dia ou semana no teu trabalho? Deixa-os falar sobre a experiência, emoções, o que gostaram ou não de fazer, valoriza a sua perspetiva e dá-lhes espaço para que expliquem.


No final de tudo isto, terás conhecido melhor o teu filho, aprendido a escutá-lo e a valorizá-lo enquanto estimulas o seu raciocínio e posicionamento crítico no mundo. Esta é uma competência útil e preciosa para enfrentar com maior serenidade as pressões e as incertezas do futuro – aqui e agora!


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