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  • Isabel Valente

O que fazer quando não sabemos o que fazer?

Há alguns dias tive a oportunidade de falar com uma amiga que não via já há algum tempo; casada e com dois filhotes lindos um pouco mais novos do que os nossos. Entre recordações e partilha de pérolas dos nossos maridos e filhos, demos por nós a questionarmo-nos de como reagir a uma ou outra situação com os mais pequenos!


Rimo-nos das nossas inseguranças quando os nossos filhos eram mais novos ou como lidámos com os desafios das birras dos dois anos em diante até aos dias de hoje. Todavia, houve um momento de silêncio que me fez perceber que algo incomodava esta jovem mãe, mulher e empresária empreendedora.



Numa voz um pouco embargada confessou-se perdida em relação a um dos seus filhos que, embora bom aluno e criança alegre, nem sempre conseguia reagir positivamente a brincadeiras de colegas onde o "já não jogo contigo" ou "julguei-te meu amigo e afinal não és", o incomodavam muito além de uns curtos minutos, deixando-o prostrado e sem ânimo até ao dia seguinte.


"Não sei a quem é que ele sai assim inseguro e sem coragem de fazer frente aos colegas! Nem eu nem o pai somos assim e francamente já nos chateamos com ele, pois ele tem de aprender a impor-se!"


Apercebi-me que o medo e a culpa lhe toldavam a alma e o espírito e que, ainda que bem intencionada, culpava o filho por não se mais confiante e saber gerir esta situação de forma mais assertiva, pressionando-o para ser mais seguro e transmitindo-lhe a mensagem, ainda que de forma inconsciente, que algo de muito errado se passava com ele.


Resultado... choro, medo e inseguranças exacerbadas que deixavam criança e pais à beira de um ataque de nervos!



Não me considerando especialmente lamechas, tocou-me o desespero daqueles pais, mas ainda mais a solidão e a culpa que aquela criança estaria a sentir, sentindo-se duplamente rejeitada pelos amigos e pelos pais que adorava! A verdade é que não existem soluções mágicas ou instruções para "programar" os nossos filhos para agirem e reagirem de determinada forma a diferentes situações.


Contudo, existe algo que, independentemente da nossa profissão, estatuto social ou faixa etária, temos o dever de assegurar aos nossos filhos - o nosso amor sem condições, sem demasiados "ses" e, acima de tudo, olhando-os e aceitando-os tal como são, com os seus defeitos e qualidades.

Partilhei com ela um episódio deveras semelhante, onde só passado algumas semanas de sofrimento nos apercebemos que, a nossa culpa enquanto pais por não sabermos lidar com a situação, nos havia levado a pressionar um dos nossos filhos, fazendo com que se sentisse de todo incapaz.



Foi uma constatação dolorosa que nos fez parar para refletir e voltar ao essencial - o amor incondicional para com os nossos filhos!


Decidimos oferecer-lhe uma tarde de "filho único", divertindo-nos em atividades diferentes, nos quais nos sentimos finalmente reconectar . E quando no regresso a casa, o assunto veio à baila e, antes que a culpa entrasse de novo em campo, paramos o carro e, entreolhando-nos, pedimos-lhe desculpa por nem sempre sabermos como orientá-lo enquanto pais, mas que gostaríamos sempre dele - "no matter what" - promessa selada com o juramento solene do dedo mindinho!


Ficou tudo resolvido? Não, de todo!


Mas posso dizer-vos que a sua autoestima melhorou, que deixou de ter medo de falar de episódios mais tensos com colegas ou amigos, que aprendeu a rir-se de algumas das suas reações e a relativizar alguns dramas. Semanas mais tarde chegou a casa com um sorriso de metro, sentindo-se vitorioso por ter "desarmado" um colega mais totó com uma piada que os fez rir a ambos!!


Claro está... ainda hoje depois de um sermão ou reprimenda, conclui sempre com a tirada - "Eu sei, mas também sei que vocês me amam no matter what", fazendo-nos sinal de promessa solene com o dedo mindinho!! Sinal de pré-adolescência ou de criança feliz? E que tal ambos??


Por issso... quando não souberem o que fazer face a determinada situação com os vossos filhos - AMEM-NOS!!


Isabel Valente,

Mãe, professora e Mestre em Educação
















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