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  • Isabel Valente

Quando os pais se esquecem de ser... humanos!!

Já alguma vez se sentiu verdadeiramente incomodada com tudo ao seu redor! A pilha de roupa para lavar, as tarefas domésticas que nunca mais acabam ou até a constante interpelação dos seus filhotes que teimam em olhá-la como o GPS de todos os brinquedos, livros escolares ou afins?


O sono que se vai acumulando, a irritação que vai crescendo e de repente olha para os seus pequenos anjunhos/diabretes e só lhe apetece fugir?



Eu já! E antes que chovam montanhas de críticas, deixem que vos diga... está na hora de tirar um tempo só para si!!


"Easier said than done!!"


Compreendo! Mas conseguiremos nós, pais, usufruir da nossa vida, dos nossos filhos e dos nossos parceiros se nos sentirmos... miseráveis?


Uma vez mais, a resposta óbvia é um não, mais culpado e envergonhado do que seria expectável! A verdadei é que nos esquecemos muitas vezes de sermos humanos, homens e mulheres com gostos, talentos e hobbies, antes de sermos pais.


Reconheçamos, porém, que por mais que amemos as nossas crianças, não podemos jamais deixar de nos amarmos e respeitarmos primeiro... sempre em primeiro lugar!! E que, ao assumirmos perante os nossos filhos ou parceiros a necessidade de termos 1, 2 ou até 3h para nós mesmos num qualquer dia da semana ou fim de semana, não passamos de pais extremosos a pais ou parceiros detestáveis!


Somos sim pais e parceiros que se recusam perpetuar a energia negativa ao seu redor, descarregando irritações e frustrações sobre aqueles que mais amamos e culpando-os pela nossa terrível gestão emocional. Saibamos agir proativamente, percebendo os sinais de alerta e agindo sobre eles, planificando no nosso horário apertado, tempo em que nos tornamos verdadeiramente as nossas prioridades - seja ao ir ao ginásio, ler um livro ou tomando um café com aquele amigo que não vemos à tanto tempo.



Será tudo isso saudável? Desejável, até? Seguramente. Partilho convosco um episódio familiar que me chamou à atenção para a necessidade de provarmos aos nossos filhos que, antes de sermos pais ou mães, somos pessoas!


Há uns 5 anos atrás, decidi dedicar-me a um estudo de uma área que me agradava imenso, e após conversas partilhadas com o meu marido, decidi que iria fazê-lo a sério! Contudo, tal obrigar-me-ia a estar ausente todos os sábados durante 6 meses. Quando decidimos partilhar este novo projeto com os nossos filhos, o mais velho colocou-nos uma questão que nos fez embatucar:


"- Mãe, mas se tu já trabalhas e és mãe, porque precisas de ter outros interesses? Não entendo?"


Depois de um silêncio inicial e face ao reconhecimento de uma atitude egoísta que nós mesmos havíamos cultivado, deicidimos colocar tudo em pratos limpos. Com calma, mas firmes, explicamos que apesar de pais, somos pessoas que adoram aprender, conhecer coisas novas, desafiar-se e aventurar-se por novas áreas e que, por mais que isso lhes custasse, não poderíamos viver apenas em sua função.


Jamais os deixaríamos de amar, cuidar, acompanhá-los e aconselhá-los, mas isso não significava que nos tivéssemos de anular. Não ficaram completamente convencidos, mas o tempo veio provar-lhes que este novo desafio em nada lhes retirava à mãe que conheciam, mas antes adicionava um sorriso e uma vontade de viver nova que adoravam!



Depois de alguns anos, demos conta do quão importante foi aquela conversa para nós e para os nossos filhos. Hoje, são eles que vibram com os nossos projetos, são eles que se atrevem a sonhar connosco e que ousam sugerir novos e mais ousados caminhos para nós, muito além da parentalidade!!


Hoje somos mais do que meros pais para os nossos filhos. Somos pessoas com sonhos, gostos, medos e projetos que nos aliciam e nos fazem correr com um sorriso no rosto.


Seremos piores pais por isso? Não creio!!


Isabel Valente,


Mulher, mãe e especialista em Parentalidade Consciente









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